segunda-feira, 7 de abril de 2014

"Últimas notícias!", de Teófilo Huerta - Para os Colégios CEM, Promove e Professor Morais

Os cientistas, os religiosos e os homens em geral não sabiam explicar as causas de tão singular fenômeno que afetou todo o planeta e pôs em perigo a vida de seus habitantes, sua estabilidade, seu harmônico equilíbrio ecológico e sua capacidade de abrigar tantas criaturas.

Conto "A última Eva", de Berilo Neves - Para os Colégios Promove, CEM e Professor Morais

Quando o Malaquias (esse velho criado preto que me acompanha há vinte anos) me trouxe os jornais, eu ainda gozava esse vago torpor delicioso que é como o crepúsculo matinal do sono… Com desinteresse, e bocejando, abri o Diário da República, cuja primeira página estava ocupada, toda ela, por uma notícia de sensação, sob o título “O mundo despovoa-se de mulheres!”. Corri os olhos pelo jornal e logo senti a grandeza da catástrofe. Começava, assim, a notícia do Diário da República:

sexta-feira, 4 de abril de 2014

"Gennaro", de Álvares de Azevedo - Conto para os alunos dos Colégios Promove e CEM

Meurs ou tue...
Corneille

 

— Gennaro, dormes, ou embebes-te no sabor do último trago do vinho, da última fumaça do teu cachimbo?

— Não: quando contavas tua história, lembrava-me uma folha da vida, folha seca e avermelhada como as do outono e que o vento varreu.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

"O ex-mágico da Taberna Minhota", de Murilo Rubião - Conto para o 1º ano do Colégio Promove

Inclina, Senhor, o teu ouvido, e ouve-me;
 porque eu sou desvalido e pobre. 
(Salmos. LXXXV, I)


Hoje sou funcionário público e este não é o meu desconsolo maior.

Na verdade, eu não estava preparado para o sofrimento. Todo homem, ao atingir certa idade, pode perfeitamente enfrentar a avalanche do tédio e da amargura, pois desde a meninice acostumou-se às vicissitudes, através de um processo lento e gradativo de dissabores.

"Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector - Conto para o 1º ano do Colégio Promove


Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

quinta-feira, 27 de março de 2014

terça-feira, 25 de março de 2014

"O gato preto", de Edgar Alan Poe - Conto para o 1º ano do Colégio Promove

Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã posso morrer e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e instruíram.